Pastoral Familiar


Neste tempo de comemorações que lembram a cidadania e a pátria, queremos refletir sobre desafios que pairam sobre a nação e a família na formação de cidadãos.

Todo indivíduo que pertence a um estado livre é um cidadão, tem direitos civis e políticos e está sujeito a obrigações.

Há algum tempo, quando a sociedade civil seguia de perto os valores do Cristianismo, o que equivale dizer que a cristandade era mais forte, estado e família somavam forças para formar cidadãos e o respeito a valores éticos universais integravam mais esta formação. É bom lembrar que ainda assim existia muita dominação, machismo, etc.

Hoje a cristandade está mais enfraquecida, o estado se distanciou do cristianismo que agora influi menos na sociedade civil. A família, sob forte ataque e pressão da cultura e da mídia, está fragilizada e, em grande percentagem, desestruturada. Conseqüentemente, não realiza bem a sua parte na formação de pessoas. Nenhuma outra instituição pode, de modo geral, substituí-la nesta tarefa.

A deficiência na formação de cidadãos é observada no dia-a-dia. Ela é uma enorme fonte de exclusão, corrupção, injustiça e violência. É causa de decadência social, apesar de tantos progressos modernos.

Não podemos voltar ao passado para resgatar a força da cristandade. Hoje o pensamento consagrado e bem aceito pela sociedade e igrejas, é que o estado deve ser laico, para que a liberdade religiosa seja, de fato, respeitada. Deste modo, as diferentes crenças podem existir e os fiéis praticarem sua fé, sem que por isto sejam diminuídos em sua cidadania, excluídos, marginalizados ou perseguidos. No entanto, estas exclusões e marginalizações vem acontecendo no Brasil e em outros países e representam totalitarismo do estado que está criando uma cultura laicista. Este fenômeno é humanamente deplorável.

Nenhuma instituição pode substituir a família na tarefa de formar pessoas. Escola, estado, mídia, cultura em geral, podem ser parceiros da família favorecendo a formação de cidadãos. Enquanto estas instituições não compreenderem este relevante papel da família, não temos progressos significativos em nossa sociedade.

Não obstante a grande responsabilidade dos pais, responsabilidade ainda maior precisa ser exigida das autoridades e organismos públicos e privados (especialmente dos meios de comunicação social). Estes detêm enormes poderes e tem mostrado pouco conhecimento e responsabilidade em matéria de radical importância.

Qual é a família que melhor pode desempenhar este papel de formar cidadãos? É a que tem, em sua base de sustentação, um casal que crê em Deus, capaz de superar conflitos através do diálogo: capaz de construir relacionamentos de qualidade, onde cada pessoa se sinta importante e valorizada. Basta procurar conhecer qual é o projeto do Criador, para conhecermos melhor o tipo de família capaz de formar cidadãos responsáveis e conscientes.

Famílias desestruturadas tem maior dificuldade de cumprir este relevante papel e carecem muito mais de ajuda. Isto é uma realidade cientificamente comprovada. A prevenção da desestruturação familiar é o apoio à família. Da parte da Igreja Católica, um destes serviços é a Pastoral Familiar. Procure, em sua paróquia, a equipe de pastoral familiar e participe deste serviço tão importante na formação das pessoas, contribuindo assim, para a construção de uma sociedade mais forte e fraterna.

Aparecida Eunides e João Bosco Lugnani, Formação presencial do INAPAF(Instituto Nacional da Família e da Pastoral Familiar – CNBB)

Revista Ave Maria – setembro/2007 pg. 32